terça-feira, março 29, 2011

E a sustentabilidade cai no buraco negro da máfia política carioca...

No dia 17 de março de 2011 aconteceu no IAB-RJ um Encontro com Raquel Rolnik para discutir o projeto Porto Maravilha. Em sua fala, a arquiteta e relatora da ONU para questões de moradia adequada explicou que num momento anterior à posse do atual prefeito, o governo federal se envolveu com o projeto do Porto do Rio, buscando a melhor forma de participar do mesmo. Como era proprietário de grande parte dos terrenos, o governo federal propunha, então, uma administração do projeto conjunta com a Prefeitura do Rio, através da constituição de uma empresa pública compartilhada. A intenção do governo federal, então, era a de destinar uma parte significativa dos terrenos disponíveis para a construção de moradias sociais.

No entanto, em algum momento se soube que a empresa OAS andava a pesquisar um modelo econômico e de gestão para a área do Porto do Rio. E quando ocorreu a mudança de gestão municipal, o novo Prefeito abandonou a proposta de criação de uma empresa em conjunto com o governo federal e optou pela criação de uma empresa municipal, a Cedurp. Em seguida, foi realizada uma licitação para definir a companhia que executaria as obras do Porto Maravilha, de acordo com o modelo desenvolvido pela OAS. E justamente a OAS, associada à Carioca Engenharia e à Odebrecht venceu esta licitação. Assim, a empresa irá executar o projeto de acordo com o modelo que ela mesma desenvolveu e que foi assumido pela Prefeitura do Rio.

Segundo Raquel Rolnik, o modelo em vigor no projeto Porto Maravilha não foi pensado como aquele que seria o melhor do ponto de vista urbanístico ou do ponto de vista da cidade, mas sim aquele que viabilizaria o negócio, a lógica financeira do projeto. O consórcio formado pelas empresas é remunerado pela Prefeitura para fazer as obras. Mas ele ganha de novo ao fazer estas obras e terá ganhos com a valorização dos terrenos. Após a viabilização das questões fundiárias, a Caixa Econômica entrará como sócia na incorporação dos futuros edifícios, viabilizando tal operação. Caso algo dê errado nessa lógica financeira, os prejuízos serão cobertos com recursos públicos municipais. O projeto Porto Maravilha revela-se, assim, em toda a sua inteireza: a abertura de mais uma frente de expansão para os investimentos do capital financeiro, do capital excedente internacional.

Além de todos os problemas aqui apontados, estariam ocorrendo problemas de ordem moral e legal. Os terrenos federais que estão sendo repassados à Prefeitura para que esta os coloque no mercado estariam sendo subavaliados. A diferença de avaliação seria da ordem dez vezes menos os reais valores dos mesmos. Os laudos de avaliação estariam deixando funcionários que os assinam em situação vulnerável frente a uma eventual fiscalização do Tribunal de Contas. Um bom exemplo dessa distorção seria a avaliação feita para a desapropriação do prédio onde ocorre a ocupação Maria Conga, também na Área Portuária, a qual seria bem mais alta que aquelas praticadas nos terrenos que interessariam ao projeto Porto Maravilha.

Ao final, Raquel Rolnik traçou um paralelo entre o que estaria ocorrendo na Área Portuária do Rio de Janeiro com aquilo que estaria ocorrendo nas áreas no entorno da Sala São Paulo, na capital paulista. Lá, como aqui, a área é tratada como um vazio populacional e um vazio de história e cultura, adotando-se algo que se poderia comparar à solução final: o arrasamento dessas áreas para um recomeço em bases palatáveis ao mercado. Assim, a oposição democrática a tais atos no Rio e São Paulo estariam frente à responsabilidade de barrar um modelo perverso, que se pretende que seja posteriormente espalhado por outras cidades brasileiras.

Socialmente injusto, economicamente inviável (contando a real possibilidade do governo realizar o projeto sem tirar do dinheiro do povo) e ambientalmente incorreto ( o Porto vai ser construído numa área de mangue, sem respeitar a vegetação nativa...), o projeto parece que tem um timão para fazê-lo saur do papel. Que tal reivindicarmos que o dinheiro do povo seja usado em nosso benefício e não sirva de margem para as "cagadas" governamentais?

Afinal, o Porto é Maravilha para Quem?

Informações do site: http://portomaravilhaparaquem.wordpress.com/2011/03/18/encontro-com-raquel-rolnik-no-iab-rj/

sexta-feira, março 11, 2011

Uma reflexão sobre o desenvolvimento da nossa Cidade Maravilhosa

Artigo de Cecília Herzog

Mais uma vez, fico me perguntando em que mundo e em que século o Rio de Janeiro está. Tenho impressão que por aqui a coisa continua igual ao século XX, especialmente em relação às grandes obras de “higienização” e enfoque rodoviarista, com as imensas transformações na paisagem: desmontes e aterros, demolições em massa de áreas históricas – que chegou ao ápice com o desaparecimento do Palácio Monroe. Tudo para dar lugar a novos prédios horrendos (em sua maioria) e carros, muitos carros. Obras de porte gigantesco, pagas pelo contribuinte que foi perdendo sua cidade, sua identidade, aos poucos sem sentir. Fico pensando o que aconteceria se a Avenida Rio Branco tivesse sido preservada, teríamos um centro histórico de fazer inveja. Mas não, o que temos hoje? Um centro desumano, entupido de ônibus, encoberto por arranhacéus, onde os pedestres se amontoam, e quando chove alaga.
A minha percepção é que estamos repetindo a história. Apenas uma parte do elevado da perimetral vai abaixo para simbolizar a renovação da cidade, construir um marco para esse momento histórico. Será que é a melhor escolha? É isso mesmo que a cidade precisa? Um túnel pra esconder os carros a um custo imenso?  Vias expressas para carros e ônibus sendo construídas sobre áreas alagáveis, onde ainda existem ecossistemas nativos insubstituíveis? Esses investimentos não poderiam ser empregados em transporte de massa, educação, saúde, conservação de áreas ecológicas de importância vital para a sustentabilidade da cidade? E as mudanças climáticas, que impacto causarão? Como a cidade está se adaptando? E o nível do mar? Os novos projetos estão prevendo os cenários possíveis? Onde está sendo investido o nosso dinheiro? E como?
O crescimento econômico a qualquer custo custa caro. No presente e no futuro. Obras espetaculosas se sucedem a uma velocidade impressionante, a administração está mostrando serviço. O Brasil recebeu mais 3,3 milhões de veículos em 2010. Esse é o outro lado da mesma moeda: agora é preciso dar espaço para que tentem circular. A transferência da responsabilidade da mobilidade coletiva para o indivíduo repete o modelo da segurança. Uma vez que o poder público se exime de dar soluções de continuidade para o coletivo, cada um se vira como pode. Quem pode, assim que pode compra um carro para resolver o seu problema e cai em outro: fica engarrafado. Os custos são incalculáveis. Não só as emissões de gases estufa, mas as perdas de produtividade, o aumento do nível de estresse, de ruídos, de perda de qualidade de vida e saúde, do aumento da obesidade. Quase metade dos brasileiros está obesa, não apenas porque comem o que não lhes faz bem, mas porque ficam sentados cada vez mais. Isso tudo custa, e muito!
Existem outras soluções, e muita gente sabe disso. Mas por que será que esse é o rumo que a cidade está tomando? Os moradores da cidade no futuro irão lamentar as perdas de hoje e nada poderão fazer para reverter o que está sendo feito nesse exato momento? Como hoje nada podemos fazer para restabelecer os locais históricos e os edifícios demolidos, as áreas que poderiam acomodar as águas em dias de chuvas fortes, os nossos rios canalizados e poluídos e as florestas desmatadas nos séculos anteriores.
São tantas as oportunidades que temos hoje de valorização de nossos ativos sociais, culturais, paisagísticos e ecológicos, para transformação real em uma cidade do século XXI, que dá uma imensa tristeza ver o rumo que está sendo adotado pelos nossos tomadores de decisões. É hora de reflexão profunda sobre que Rio de Janeiro nós queremos, para que nossos descendentes não tenham do que se lamentar no futuro.

Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/11.127/3769

quinta-feira, março 10, 2011

Faça acontecer a cultura - Viva a colaboração!!

A criação coletiva ou construção colaborativa pode fazer prosperar milhares de projetos que, sozinhos, não teriam como ir adiante. Essa ideia de fazer junto, colaborar para o sucesso, inicialmente, de outro, mas que tem o objetivo de construir mais riquezas para todos é diferente do que é proposto e aceito na sociedade atual.

Por isso me surpreendi ao saber de 2 iniciativas de gestão de projetos culturais/ criativos que têm como premissa a colaboração financeira de qualquer interessado para que o projeto se realize, via web. Uma forma feliz e participativa de investimento que merece atenção e fomento!!

Produrama e Catarse têm tudo para serem incríveis e fazerem acontecer muita coisa boa. Uma catarse cultural produrama criatividade pelas mentes brilhantes da cidade,
do país e do mundo. Vale a pena conferir!

http://www.produrama.com.br/

http://catarse.me/

Saúde, globalização, tecnologia e sustentabilidade

Recebi esse vídeo incrível de um amigo essa semana que fala sobre o desenvolvimento de 200 países em 200 anos, em termos de saúde, expectativa de vida e riqueza. Tudo mostrado com tecnologia, em gráficos e muito atrativo.

O caminho do mundo e o papel que alguns países tiveram que ter de correr atrás de um melhor desenvolvimento tornou possível que pessoas dos diversos continentes tenham uma qualidade de vida semelhante. Conta-se aí o grande papel da globalização e da tecologia na disseminação de boas práticas, permitindo a troca de experiências entre países mesmo longínquos.

Um passo importante para a configuração do mundo hoje, do desenvolvimento sustentável no mundo e para a formação dos "BRIC Countries". Vale a pena ver!

O desenvolvimento sustentável nas questões governamentais: muita teoria e... onde está a prática?

Tenho mostrado exemplos de empresas que têm ações ligadas à sustentabilidade, tentando ( e às vezes conseguindo) realizar processos de gestão compartilhada e ações de responsabilidade social sem ser meramente assistencialistas. Considero essas ações muito importantes hoje, num mundo onde a sustentabilidade como forma de vida e filosofia de existência quase não existe. Penso que é importante divulgar e discutir os bons exemplos a que tenho acesso para conscientizar o máximo de pessoas possível.

Essa conscientização é o caminho para que tenhamos, também aqui no Brasil, uma população que entenda o que é sustentabilidade de verdade, na sua forma mais simples e verdadeira (tentei colocar a ideia em um post anterior - Sustentabilidade: o que é isso),  que saiba cobrar das autoridades governamentais políticas que tenham o cidadão como principal interessado e que respeitem nossos direitos a uma excelente qualidade de vida. E a comunicação pode ser uma grande ferramenta de transformação nesse sentido.

Hoje, na Inglaterra,  corre uma grande discussão sobre os novos rumos do Comitê de Desenvolvimente Sustentável que vai deixar de ganhar recursos do governo ainda esse ano. Não tendo como se bancar, o Comitê está buscando uma nova forma de se manter, mas conta com o apoio total dos cidadãos comuns, pois este é formado pela sociedade civil. Uma população que se preocupa em discutir e disseminar a sustentabilidade nacionalmente e incluir, de forma enfática, as ações de sustentabilidade nas políticas do país.

Parece que o novo primeiro ministro inglês tem uma opinião diferente sobre a inclusão da sustentabilidade nas metas do governo. Apesar de ter sido feito um documento de inserção das premissas sustentáveis no governo inglês (http://sd.defra.gov.uk/gov/vision/), membros do Comitê de Desenvolvimento Sustentável acham que não há uma preocupação em envolver os cidadãos comuns na questão da sustentabilidade. Isso está sendo combatido também pela Futerra, a agência de comunicação inglese totalmente voltada para a disseminação da sustentabilidade pelo mundo, http://www.futerra.co.uk/news/442, além dos cidadãos comuns que estão fazendo parte dessa discussão. A proposta de agência é criar um imposto de contribuição para a sustentabilidade, onde todos tenham que pagar e estejam envolvidos na questão. (http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-12620647)

Agora, pense como seria legal se os brasileiros também tivessem essa força de colocar em discussão questões estruturais com o governo. Acho que temos alguns representantes brasileiros que fazem essa pressão, como é o caso da ONG Inverde es seus membros - http://inverde.wordpress.com/. Mas que força temos, se optamos por não nos corrompermos? O que será discutido no Rio+20 que vai acontecer aqui no Rio de Janeiro no próximo ano? Deveríamos ter uma população mais engajada nas questões de desenvolvimento sustentável após 20 anos da Eco-92, né?

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Sustentabilidade - uma irradiação simpática de valores do bem viver

Em um dos posts da semana passada falei de como a sustentabilidade empresarial, hoje, está voltada para a ideia da colaboração, de construções coletivas. E fiquei bem feliz quando recebi, essa semana, duas notícias de empresas que estão tendo atitudes sustentáveis, a meu ver, muito importantes, e estão mostrando à sociedade.

No início da semana, li sobre o novo posicionamento da Vivo - O amor nos conecta. A conexão nos transforma. - O slogan pode soar meio piegas, mas a verdade é que a conexão entre as pessoas, o fazer juntos, transforma realidades. E o que move a vontade de transformar e amor ou paixão que cada pessoa tem por uma determinada atividade. Penso que o amor, no seu sentido mais puro e racional, é o que conduz a ação humana, detona desejos que movem nossas ações. Dessa forma, é verdade que um amor comum pode conectar várias pessoas que podem realizar algo diferente.

Não é só conceitual esse amor pela conectividade não. Através desse novo slogan a Vivo traz os resultados de algumas de suas ações sociais que levam conectividade para pessoas que vivem em lugarejos distantes dos centros urbanos ou com pouco alcance de sinal para a telecomunicação. Claro que a organização busca vender mais e, levando tecnologia que beneficie comunidades, aumenta a sua abrangência, trazendo para perto um potencial consumidor. A notícia está no link a seguir: http://www.mmonline.com.br/noticias.mm?url=Vivo_estreia_campanha_institucional&id_noticia=148353

É possível ser capitalista, vizar o lucro e ter boas ações de sustentabilidade. Essa ideia está sendo incorporada por cada vez mais organizações aqui no Brasil.  Outro grande exemplo, talvez pioneiro, é a Natura. A organização ampliou sua liderança na venda de cosméticos e ainda teve um cresimento de 21,1% no seu lucro anual. Lucrando e, cada vez mais, investindo em sustentabilidade.

Apesar de não estar na lista de sustentabilidade da Dowjones, mas estar no Índice da Bovespa de sustentabilidade, a Natura foi a primeira do Brasil a implementar, em 2001, o relatório de sustentabilidade GRI. A notícia é que, como teve seu rendimento aumentado, a organização também vai aumentar seu investimento nas comunidades do entorno de seu empreendimento. Dá orgulho de receber essa informação. A matéria toda está no link a seguir:
http://www.mmonline.com.br/noticias.mm?url=Natura_divulga_bons_resultados&id_noticia=148509

Termino a semana com esperança maior de que a consciência da importância de um mundo melhor e mais digno de viver está crescendo entre os brasileiros. Como se desse para ver o sol começando a brilhar, irradiando os valores da sustentabilidade para dentro das organizações e das pessoas... Me lembrei da música "My girl", como se a garota fosse a própria sustentabilidade.

Bom fim de semana!

domingo, fevereiro 20, 2011

A participação colaborativa na sustentabilidade

Hoje, me parece que o conceito de sustentabilidade está ligado a uma construção coletiva. Esse produto pode ser um novo conhecimento ou até uma estratégia corporativa, mas TEM que contar com a opinião de representantes de todas as partes interessadas de uma organização. Essa nova forma de ver um negócio, para mim, é maravilhosa, pois é um processo, agora, de mão dupla, e não mais uma via de mão única como sempre funcionaram os processos organizacionais.

Tá certo que fazer esse novo sistema ser apreendido por todos e encorporado ainda vai levar um tempo. Muito mais quando se fala em Brasil, com uma população formada para ser passiva e assistir e aceitar a todas as resoluções importantes, sem, de fato, participar.  Mas estamos caminhando bem no sentido de participar e fazer juntos.  Nosso país é, hoje, um dos países mais a frente quando se fala de reportar a sustentabilidade corporativa. Como mostra a pesquisa Road to Credibility 2010, realizada pela Sustainability (www.sustainability.com) e pela FBDS (www.fbds.org.br), a quantidade de empresas relatoras no Brasil, cresceu mais que o dobro. Uhuuuuuuu!!!! Agora temos que melhorar a qualidade desses relatórios, como mostram os resultados no filme do link abaixo.

http://www.sustainability.com/library/road-to-credibility-2010

Esse fato merece ser comemorado e segue na linha da nova ISO 26000 de responsabilidade social, que foi lançada no último dia 8 de dezembro aqui no Brasil. Fomos, jutamente com a Suécia, líderes desse processo, por meio de Instituto Ethos. O objetivo desta nova norma é fazer com que as organizações de todos os portes estejam integradas nos processos e diretrizes de responsabilidade social, incluindo os temas de governança organizacional, meio ambiente, direitos humanos, práticas trabalhistas, práticas leais de operação, relacionamento com consumidores e envolvimento de comunidades. É um desfio que, apesar de já ter sido oficializado, está sendo estudado na prática para que sejam relacionadas diretrizes para a aplicação da ISO 26000 nas diveersas organizações. (http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/pt/4877/servicos_do_portal/noticias/itens/e_lancada_no_brasil_a_norma_iso_26000.aspx)

Logo as organizações seguirão essa norma, que não pretende uma certificação, para tornar mais verdadeiro o processo multistakeholder e aproximar, cada vez mais, a estratégia da organização com seus cases práticos. É nessa levada que o Santander sai na frente com seu slogan "Vamos fazer juntos?" e organizações como Vivo e Starbucks têm vantagem quando criam canais de relacionamento específicos com clientes baseados na troca de ideias e sugestões para o negócio.




Enfim é tempo de pensar coletivamente...

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Cidades Inteligentes - Realidade que queremos

Há alguns dias li a notícia de que a Feira de tecnologia e energia HANNOVER MESSE, que acontece anualmente, irá apresentar uma nova área destina a expor soluções para metrópoles, soluções de "urbanismo inteligente". Fiquei super animada com a notícia uma vez que as cidades precisam ser remodeladas de forma a utilizarem recursos de energia renovável, que não troquem suas árvores por concreto, enfim...

Ver o urbanismo inteligente sendo abordado, de forma grandiosa, numa feira internacional é, para mim uma vitória. Espero que algum representante do governo brasileiro vá a essa feira e traga bons exemplos de produção e consumo de energia, de construção, de mobilidade etc a serem colocados em prática por aqui. Mais informações sobre a HANNOVER MESSE estão no link a seguir: http://www.hannovermesse.de/en/about-the-trade-show/topics-trends/special-events-of-hannover-messe

Espero mesmo que algum representante nosso vá a esse evento já que saiu uma notícia que vai acontecer o PAC da Mobilidade para 24 cidades brasileiras ( http://oglobo.globo.com/rio/transito/mat/2011/02/16/pac-da-mobilidade-incluira-quatro-cidades-fluminenses-923818570.asp).  Os projetos devem ser apresentados pelos respectivos prefeitos das cidades contepladas até junho. Essa é uma notícia muito boa para nós brasileiros, no entanto, em se tratando de Brasil, podemos ter aquela pulguinha atrás da orelha sobre quem vai levar um dinheiro com isso, ou quando veremos esses projetos na prática...

Mas, enquanto isso, vamos pensando e imaginando uma cidade muito melhor de se viver, com transporte digno, confortável e confiável. Essa é a cidade que nós merecemos!!! Apesar de estarmos um pouco longe dessa realidade, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, não devemos dexistir de alcançar a realidade que queremos de fato. Vamo que vamo tentar chegar lá!!!

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Criatividade - Rumo certo à sustentabilidade


No últio domingo tive na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, prestigiando a inauguração da ONG Espaço Atitude Social, do Senhor Antônio Tibúrcio e da Senhora Sandra. Pessoas com muita criatividade e vontade de fazer coisas para transformar a vida das pessoas que moram no Complexo da Penha. Depois de muito correr atrás, durante anos, conseguiram oficializar a ONG e torcem para que consigam investimentos para realizar muitos projetos de Atitude Social.

Nessa visita, fizemos um tour pelo morro e eu pude perceber como o pessoal que não dispõe de muitos recursos abusa da criatividade para realizar coisas. Passei em frente a uma cerca de arame farpado que estava fazendo o papel de um varal de roupas para a casa em frente. Isso não é utilizar-se bem do potencial criativo?

Não só há exemplos de criatividade em lugares com pessoas desprovidas de recursos, mas é possível perceber no mundo todo. Posso fazer um post imenso onde citaria vários exemplos, mas recebi um e-mail de um amigo hoje com um exemplo do Japão. Um senhor que transforma o resíduo plástico em combustível para carros, motos etc. Incrivelmente criativo e com vontade de fazer coisas para transformar o mundo e a história de milhões de pessoas. Vale a pena conferir no vídeo sugerido a mim pelo designer e publicitário Roberto Tostes (http://robertotostes.blogspot.com/).
Obrigada querido!!!

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Abra a felicidade?

Compartilho com vocês o novo anúncio da campanha anual da Coca-Cola - Abra a felicidade! O filme principal é muito bom, até o NX Zero cantando ficou bom ( que na minha opinião é um estilo de música estranho)...

Com alguns elementos que mostram o posicionamento da marca em relação à sustentabilidade,o filme traz uma grande jovialidade para a marca. O mote "Abra a felicidade" me lembra aquela campanha da Brastemp, do "dia em que um sorriso parou São Paulo".

O conceito de ser feliz é infalível, né? Espero que todos realmente busquem a felicidade dentro de si - sua sustentabilidade - e não, simplesmente, sejam obrigado s a sentí-la.

Abra um sorriso!!

Campanha Abra a felicidade Coca-Cola:



Campanha O dia em que um sorriso transformou São Paulo:

Grandes mudanças - Redes Sociais contribuem para fortelecer as mobilizações reais



Semana passada vi um post, via Facebook, de um artigo da revista The Newyorkers, onde falava-se que as mídias sociais não vão conseguir causar uma revolução, apenas uma pequena mudança.  Não concord com essa afirmação, pois acho a potencialidade de ação via twitter, facebook e linked in muito boas. Claro que a força da revolução propriamente dita, está nas mobilizações ao vivo, no entanto, o twitter e o facebook podem mobilizar milhões, em segundos, tendo um alcance inimaginável em outros tempos.

É bem verdadeira a afirmação de que as mobilizações reais e ao vivo têm muito mais força, a curto pazo, do que as virtuais, como descrito no artigo Small Change publicado no The New Yorkers, porém com um alcance muito menor do que a mobilização virtual teria. É importante ter essa questão em mente para não esquecer da importância dese contato ao vivo.

Com o advento da internet e o fortalecimento das mídias sociais como meios de reivindicação, tenho a impressão de que as pessoas ficaram cada vez mais adeptas ao contato virtual, por qualquer que seja o moivo, do que para o contato ao vivo. O encontro que se dá fisicamente pode ter uma imensidade de variações do que o virtual. E o artigo do The New Yorkers explicita isso com clareza.

No texto, o autor volta à década de 1960, numa universidade norte-americana, para falar das mobilizações a favor da igualdade racial, o que naquela época não acontecia de fato. Os Estados Unidoa viviam o tempo do apartheid, com vidas separadas para negros e brancos. Nessa universidade, alguns estudantes negros iniciaram uma mobilização pacífica, sentando na parte do refeitório destinada aos cidadãos de cor branca e só se levantavam após o fechamento do estabelecimento. Essa attitude foi se repetindo dia após dia, ganhando, cada vez mais, simpatizantes, e se extendendo de território também. Até que essa manifestação ganhou adeptos no estado inteiro e ficou conhecida nacionalmente.

Se essa manifestação fosse colocada na web, via redes sociais, enquanto acontecia a coisa viva, talvez tivesse ganhado adeptos de todo o mundo e a nova percepção que o movimento difundiu estaria na boca e na mente de muitos indivíduos. Disso poderiam ter resultado presses por soluções mais Justas e com mais agilidade.

O caso do Egito, hoje, mostra a importância de manifestações físicas para lutar por mudanças. Paralelo a isso, as redes sociais vêm complementar essa força, contribuindo para mobilização de muitas pessoas, de outras partes do mundo. Por isso, digo ao autor Malcolm Gladwell, do artigo Small Changes - http://www.newyorker.com/reporting/2010/10/04/101004fa_fact_gladwell?printable=true - que ele está tendo uma visão míope do objetivo de cada meio mobilizador. Mas achei sua reflexão importante de ser dividida.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

SUSTENTABILIDADE - o que é isso?






Todo mundo ouve falar de sustentabilidade em algum lugar ou momento, atualmente. Pois bem, muitos têm sempre uma explicação rebuscada e teórica para dar sobre a palavra. Mas, na minha opinião, esses conceitos teóricos e elegantes não funcionam muito quando se quer disseminar uma nova cultura de vida PARA TODOS, que é a SUSTENTABILIDADE. Mas como, aqui no Brasil, disseminar um termo de escrita tão grande, com uma explicação bastante extensa, para uma pouplação onde a maioria não tem muito estudo?

Por isso, gostaria, aqui, de tentar explicar, de uma forma bem simples, o que, para mim, quer dizer este grande conceito, uma filosofia de vida.

SUSTENTABILIDADE = QUALIDADE DE VIDA NO CURTO, MEDIO E LONGO PRAZO

De forma macro, acho que esse é um bom começo para se entender do que se trata sustentabilidade, e uma forma atraente de introdução ao tema. Assim todas as pessoas, independente do nível de escolaridade e cultura de vida, iriam entender. Uma qualidade de vida que engloba todos os aspectos: social, ambiental e econômico, uma vez que estes estão inter-relacionados e o desempenho de um sempre vai afetar o desempenho do outro.

Qualquer processo sustentável deve ter como premissa o respeito e preservação ambiental, respeito à diversidade social e aos direitos humanos, e a execução de uma economia justa, gerando trabalho e renda a todos. Tendo essas ideias sempre em mente, é muito improvável que a vida humana faça acabarem os recursos naturais, que fazem parte da nossa vida, e dos quais fazemos parte também, ou que haja uma grande diferença social.

Daí, uma grarantia de vida longa à nossa espécie, sem desrespeitar as leis de Darwin claro.

Fácil de entender, né?

Redes sociais e sustentabilidade - um caminho a ser desvendado

Fonte da imagem: Blog Lucy Warin

Ontem participei de um fórum online (http://www.futerra.co.uk/news/431) sobre redes sociais e sustentabilidade realizado pelo jornal The Guardian em parceria com a organização inglesa Futerra, especializada em planeja, criar e executar comunicação sustentável (http://www.futerra.co.uk/).

Pude perceber, ao longo do debate, que muitas empresas estão investindo em redes sociais como uma ótima forma de engajamento com stakeholders, estimulando a participação destes na construção das estratégias corporativas. Como é o caso da cafeteria Starbucks, por exemplo, com o site/ blog "My Starbucks".

A empresa criou um canal de relacionamento onde o visitante é convidado a colaborar com suas ideias para que o Starbucks invista em melhorias para suas partes interessadas e ofereça melhores produtos, de acordo com as necessidades do seu consumidor. Isso inclui ideias para todas as áreas da empresa, desde oferta de produtos, criação de ambientes até projetos de sustentabilidade/ responsabilidade social. As ideias são votadas no site e as que tiverem maior votação, implementadas. (http://mystarbucksidea.force.com/apex/idealist?lsi=0)

No entanto, ficou evidente para mim como a utilização das redes sociais é uma coisa muito nova entre as organizações. Muitas ainda não sabem como fazer uma comunicação estratégica e eficaz através dessas novas mídias. Essa dificuldade fica ainda maior quando se fala em fazer uma comunicação sustentável, pois muito pouca gente que sabe o que isso quer dizer.

Há uma grande quantidade de empresas utilizando seus canais no you tube ou blogs para trazer os stakeholders para perto de seus projetos sociais. Isso já é um grande avanço no caminho rumo à sustentabilidade (esse nome grande, do qual muitos não sabem o significado, todos querem e poucos sabem como alcançar), pois o engajamento com stakeholders e a participação de todos na construção de estratégias organizacionais é uma das principais premissas de um processo e gestão sustentáveis.

Como exemplo de projetos de engajamento com stakeholders temos o cana Helathcare da Johnson&Johnson - http://www.youtube.com/watch?v=Y4iNLCosw8I&feature=related - o projeto Social Shopping Idea da Levis - http://www.youtube.com/watch?v=Ed5vJeaEuzA - ou o blog com os projetos sociais realizados pela FedEx - http://fedexcares.com/event/firstnight, onde o visitante pode se volutariar para fazer parte das ações e, de uma certa forma, ser também um embaixador da marca.

As redes sociais estão sendo usadas internamente para trazer os stakeholders para perto dos valores da marca da organização e criar, cada vez mais, embaixadores da marca. Através das redes sociais, o stakeholder engajado vai querer continuar seu relacionamento com a marca mesmo após deixar o ambiente de trabalho e contribuir para agregar ainda mais valor a ela, porque se sente parte da construção deste valor.

Senti falta, apenas, entre tudo o que vi nesse debate, da discussão sobre uma comunicação mais forte no sentido de as organizações realmente colocarem a responsabilidade de criar um mundo com mais qualidade de vida na mão dos stakeholders, através das redes sociais. Mas sei que este caminho está só no início. Valorizo muito as ações de responsabilidade social empresarial e acho fundamental o engajamento com as partes interessadas para que possamos dar o próximo passo, comunicar a sustentabilidade, fazer uma comunicação de educação para um mundo melhor, mais sustentável.

Quem quiser acompanhar as discussões sobre comunicação e sustentabilidade, segue o blog da Lucy Warin, consultora da Futerra. - http://www.futerra.co.uk/blog/lucy-warin

Uma nova forma de energia é possível, basta querer conhecer


O Segundo dia de Seminário Cidades Verdes falou sobre Mudanças Climáticas e utilização de energia alternativa. É impressionante como não temos a menor ideia de quão mais benéfico e, a longo prazo, barato é utilizarmos a energia solar como fonte primária de energia. Segundo o palestrante Felipe Café, a não utilização da energia solar é uma decisão estritamente política. Estranho pensar que os governantes preferem construir hidrelétricas e devastar regiões em vez de utilizar uma fonte de energia natural, simples e capaz de suprir toda a demanda de consumo de energia mundial atual.


Estranho para a maioria das pessoas que fazem a reflexão de um sistema de cidade sustentável, que consuma a energia e, ao mesmo tempo, devolva o montante utilizado para o ambiente. Mas tem muita gente que ganha um dinheiro por trás desse mundo de investimento em tecnologias destrutivas que não pode ficar de fora, né?


AH, MEU BRASIL!!!!??



Enfim, uma ECONOMIA SOLAR GLOBAL é possível. Basta os governantes tomarem ciência de que é preciso começar a investir em tecnologia específia para a captação da energia solar. Isso é possível através da renovação da energia solar, com o tão falado Retrofit ( o Retrofit é o investimento em tecnologias novas na construção. Para saber mais, visite o site http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=22&Cod=60) nas construções, ou através de construções já projetadas com tecnologia solar, com painéis fotovoltaicos e uma estrutura que aproveite a energia captada.


O Brasil hoje ocupa o 55ø lugar entre os países que fazem o uso da energia solar. E ainda utilizamos mais energia a gás nos eventos que realizamos do que a produzida por meio de placas solares. Ou seja, é necessária a criação de uma nova forma de percepção da produção de energia para que essas práticas mais simples de vivência no mundo, e menos destrutivas, sejam valorizadas em detrimento de outros caminhos mais longos…


Se faz premente a ruptura com o modelo econômico atual! A redução do caminho da produção energética depende de vontade política. Pois hoje o que vemos no país são pouquíssimas empresas investindo no desenvolvimento desta nova tecnologia e nenhuma vontade ou insentivo político à inovação. E mesmo essas poucas empresas têm poucos projetos nessa área e projetos ainda em fase de experimentação.


Não há cidade verde sem energia solar. Temos que precionar os governantes e as empresas para que invistam na energia solar e que os próximos eventos a serem cediados no nosso país sejam abastecido pela energia captada do sol. Vamos exigir mais ação e rapidez dos nossos governos e transformar essas medidas inovadoras e simples em lei.


O que vocês acham?

domingo, janeiro 30, 2011

Cidades Verdes - Uma proposta de vida muito boa e distante de ser alcançada

Semana passada participei do Seminário Cidades Verdes, organizado pela Ong OndAzul e moderado pelo Deputado Federal Alfredo Sirkis. O evento teve apoio também da Rede Globo de Televisão, e da agência Quê Comunicação, responsável por produzir os anúncios da OndAzul que passavam nos momentos entre as mesas de debate. Apesar do áudo desses anúncios estar muito ruim, a agência fez um belo trabalho de propaganda, didático e instigante.


O evento aconteceu num dos auditórios da Firjan, no Centro do Rio de janeiro, nas manhãs dos dias 27 e 28 de janeiro. Os participantes das mesas eram, além do moderador Alfredo Sirkis, membros do Iclei, uma organização que realiza estudos e orientações sobre a sustentabilidade nos governos locais, e da iniciativa pública e privada que trabalham as questões de transporte público e construção para cidades.


No primeiro dia, foi sancionada a Lei Aspásia Camargo, que é a lei municipal de mitigação das mudanças climáticas, feita pela Deputada Estadual Aspásia Camargo e pela Secretaria de Mudanças Climáticas. A lei prevê a redução da emissão de 20% dos gases de efeito estufa até 2020. Isso será feito através de um plano de metas desenhado pela equipe gestora dessa lei. Segundo o Secretário municipal de meio ambiente e taambém vice prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Muniz, a Lei de Mudanças Climáticas é um instrument de gestão da Prefeitura em todas as suas áreas de trabalho.


Dessa forma, o Secetário se comprometeu a realizer ações que contribuam para a redução de emissão de CO2, tendo os resíduos sóidos e o transporte como as principais fontes poluidoras da cidade. Vejam abaixo as ações que o Secretário Muniz se comprometeu em fazer para que possamos cobrar depois:


Com relação ao tratamento dos resíduos

· Encerrar as atividades do lixão de Gramacho até o final de 2011, construindo um Centro de Tratamento de Resíduos no local.

· Implementar a Coleta Seletiva em larga escala até o final de 2011.

· Dar prioridade às empresas que utilizam o lixo reciclado na confecção de materiais de sua linha de produção nos processos de licenciamento.


Com relação ao transporte público

· Diminuir o número de ônibus da cidade, priorizando esse transporte coletivo nas áreas onde existem menos ônibus hoje.

· Construção de 4 VLTs para o Rio de Janeiro até 2012.


Arquitetura e urbanismo não ecológicos


Jeb Brugmann, fundador do Iclei (http://www.iclei.org/), falou nesse dia também sobre o desafio e os esforços realizados para a implementação de uma arquitetura e urbanismo verdes nas cidades. Para o estudioso, os governantes hoje e as indústrias estão acostumados em investor em projetos padrão de urbanismo e arquitetura, pois são instrumentos que estes já conhecem. Contudo, dessa forma não há nenhum prepare dos governos para uma situação que fuja ao padrão conhecido, ou seja, não há uma margem do planejamento destinada aos erros ou a situações inesperadas.


Ninguém quer investir em projetos customizados a situações de risco ou emergência. Um sistema de construção ecológico deve prever todas as situações do ambiente, as que pedem projetos padrão e as situações extremas, novas ou de risco que pedem um planejamento sim. Então a questão colocada é como transformer o sistema atual em um ecológico.


As soluções trazidas po Brugmann propõem uma forma inovadora, de um certo modo, de ver as cidades, coisa que já é feita em diversos países europeus. Para ele, as cidades devem ser vistas como sistemas consumidores e produtores de energia. As cidades hoje só extraem energia do ambiente, sem devolver a enrgia consumida. Dessa forma, os recursos de produção de energia vão se extiguir, por isso é necessário pensar novas formas de produçãoi de energia enquanto há a produção. Isso incluiria reciclagem de resíduos para a produção de energia e a criação de projetos customizados que permitam a construção de cidades e a produção de energia que atendam ao que nós precisamos hoje para viver.


Tendo as cidades como sistemas de produção de energia, teremos uma forma sustentável de viver e supercar o desafio que temos de implementar um sistema ecológico de vida. Investindo em projetos customizados de construção e engajando a população nesse processo de planejamento, poderemos administrar os riscos e ter pessoas mais conscientes do desafio e da maravilha que é vive rem equilíbrio com a natureza.


Sustentabilidade: uma questão de qualidade de vida


O arquiteto Lourenço Gimenes, especialista em projetos de arquitetura sustentável defende a realização de projetos arquitetônicos que sejam mais inclusivos e respeitem o meio ambiente como um todo. Para ele, o termo sustentabilidade está banalizado e sendo utilizado erroneamente. O arquiteto procura desvendar esse mistério falando da missão primeira do arquiteto que é desenhar espaços de qualidade para as pessoas morarem. Isso já é fazer um projeto responsável e sustentável, sem mais mistérios.


Gimenes ainda falou que utilizar o termo “sustentável” pode ser um reducionismo, o que eu concordo plenamente. Sustentabilidade nada mais é do que realizar construções e projetos na vida que sejam de qualidade, tragam o bem estar e respeitem a natureza. Você já pensou nisso?

A participação do Sérgio Dias e do Roberto Kauffman, president da Sinduscom, neste primeiro dia do Seminário foi um pouco propagandista e não merecem muitos destaques.


“Ideias velhas não respondem pergintas novas”


No entanto, a participação do estudioso Ricardo Neves (http://ricardoneves.com.br/), especialista em mudança e inovação, foi SENSACIONAL. Neves mostrou que vivemos um paradigm da ineficiência urbana hoje. Sem uma visão inovadora por parte dos politicos, e a participação da sociedade civil, não será possível realizar ações que transformem a cidade atual num sistema ecológico que dê cabo de sustentar as próximas gerações.


Ricardo Neves menciona que a solução para o transporte, por exemplo, não é dobra a frota de carros. Pois o carro sera cada vez mais acessível, porém com um custo de uso muito alto. Há de se mudra as formas de pensar o uso desses meios de transporte. “É necessário que as pessoas pensem diferente para que uma forma diferente de vida aconteça”.


Seguindo essa linha de raciocínio, Paulo Câmara, colaborador da Prefeitura de Londres, trouxe exemplos de métodos de limitação para o uso de carros que acontecem naquela cidade. Câmara falou dos pedágios urbanos que cobram uma boa taxa para aqueles carros que curculam por uma determinada parte da cidade, fomentando assim o uso de transporte public em detrimento do transporte individual. Há ainda a opção de andar de bicicleta pela cidade inteira, ou até outros países, tornando-se sócio de um Clube de Bicicletas (http://www.britishcycling.org.uk/).


As inovações e propostas de transportes alternativos são muitas. Há muitos países investindo em políticas de fomento à utilização destes. Quando será a nossa vez? Que tal cobrarmos ações políticas nesses sentido?

Mobilização pela Cidadania a favor da responsabilidade pública


Aconteceu no domingo 23 de janeiro, no Rio de Janeiro, a ação Mobilização pela Cidadania, na Praia de Ipanema/Leblon. A ação de intervenção social e passeata reivindicava a responsabilização e a maior ação dos governantes brasileiros com relação aos desastres que ocorreram na Região Serrana do Rio de Janeiro, e ocorrem todos os anos, na época de chuvas no Brasil. O objetivo maior do grupo foi arrecadar assinaturas para dar entrada com uma ação no ministério público federal, pedindo a apuração dos culpados pelas mortes ocorridas recentemente na Região Serrana, com base na LC 75/ 93 das Constituições Federal e Estadual do Rio de Janeiro.


A mobilização teve início por volta das 10 horas da manhã, com a concentração e organização dos membros do grupo. Por volta das 11 iniciou-se a intervenção com os passantes da pista restrita das praias de Ipanema/ Leblon. Quando o carro de som chegou, em torno de meio dia, iniciou-se uma passeata que foi desde o Jardim de Alah, em Ipanema, até o final do Leblon, na altura da rua onde mora o Governador Sérgio Cabral. Nesse local, o carro de som estacionou e, ao som da marcha fúnebre, houve depoimentos dos manifestantes do grupo, entre eles estavam o ator Carlos Vereza e o Coronel Paulo Ricardo Paúl, que fez um discuro emocionante em favor da responsabilização e apuração das mortes na Região Serrana, recebendo aplausos dos passantes.


A intenção da manifestação é que os governantes, que não tomam as medidas cabíveis para evitar as catástrofes trazidas com as chuvas, que se repetem todos os anos, sejam realmente culpados e punidos. Dessa vez as águas da Região Serrana fizeram soterradas áreas inteiras, com moradias e famílias, que talvez nunca sejam achadas. “Tenho amigo que mora em Tersópolis e perdeu todos os vizinhos de uma comunidade que havia ao lado de sua casa. A favela sumiu e os moradores mortos foram soterrados.”, depôs uma das participantes do movimento. “Nossa união foi devido a essa catástrofe acontecida na região serrana, a maior ocorrida no país até hoje.”, comentaram alguns dos participantes. A população local já fala em 3000 mortos.


Outra reivindicação do grupo é que sejam levados em consideração os estudo ambientais já existentes dessa região, que já estão nas mãos do Governo, e que seja tomada alguma atitude. “A UFRJ realizou um estudo das áreas de risco do Rio de Janeiro em 2007, e entregou ao Governo em 2008 para que ações fossem tomadas, desocupando as áreas de risco e realocando os moradores. Mas, até agora, nada foi feito. Aí está a omissão!”, explicou Marcos Maher, um dos administradores mais antigos da comunidade Revoltados Online e do blog Revoltados.Com. “Eles diluem a culpa entre os moradores…”, lamenta a participante Eliana Zuckermann.


O forte poder das redes sociais na mobilização nacional


O grupo que organizou a Mobilização pela Cidadandia é formado por artistas, professors, psicólogos, economistas, jornalistas, entre outros, que dá um caráter multidisciplinar ao manifesto, que iniciou-se e organizou-se na internet. São pessoas de diversos estados do Brasil que se uniram contra a omissão, descaso e negligência das autoridades públicas através da comunidade Revoltados Online, na rede social Facebook. “A força da internet é indiscutível!”, argumenta a participante Regina Pavanelli.


Sou brasileira e cansei de ficar esperando uma ação mais contundente das autoridades, enquanto elas só votam a favor de seus próprio benefícios.”, disse Pavanelli, artista plástica e professor de história. “Agora, todos sentiram no bolso os estragos dessa catástrofe. Pois atingiu casas e famílias de ricos e pobres no mesmo nível.”, continuou Pavanelli. Para a participante Meire Ferraz, que veio do Mato Grosso do Sul para a mobilização, fazer parte do grupo Revoltados Online proporcionou uma grenade identificaçãi de interesses e uma ótima forma de reivindicar uma maior ação dos governantes e export sua indignação com a inércia dos cidadãos diante de tanta corrupção. “O furúnculo vazou e nós estamos indignados com a forma com que somos tratados.”, argumenta Meire.


No dia 1ø de fevereiro, dia em que deputados e senadores eleitos tomam posse, o grupo fará uma outra mobilização em frente à Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Constatações do cotidiano - Pessoas vão e vêm


A Ipanema cantada por Tom e Vinicius está ganhando mais frequentadores! A estenção das linhas do metrô estão proporcionando a milhares de pessoas circularem com mais comodidade (ou não, pois falar da qualidade do nosso transporte, daria outro post) no trecho Pavuna- Barra da Tijuca. Sendo assim, com a inauguração da estação do metrô da Praça General Osório, muitas pessoas vêm de looooooooonge para curtir o sol nas areias tão famosas de Ipanema. Afinal, a praia é para todos.

No entanto, não posso negar que, para mim, foi bem estranho ver uma família de 15 pessoas comendo frango com farofa (literalmente) na praia, produzido tanto lixo, umas 6 garrafas pet de 2L, usando aquele espaço de uma forma diferente da que eu estou acostumada a usar pelo menos. Eles falavam alto, ligavam um aparelho de som de vez em quado, trouxeram 2 bebês recém-nascidos para ficar em baixo de um sol de 40 graus... Estranhei tudo isso, mas quis me livrar de qualquer olhar preconceituoso.

Quando a família resolveu se preparar para ir embora, a questão que eu tinha, e mais algumas pessoas das barracas ao redor, era se a família ia recolher o seu lixo(era muita coisa), ou deixaria ali. Mas ficamos aliviados e felizes quando a 15å pessoa da família a deixar a areia recolheu todo o lixo restante e se virou para carregar as 6 garrafas pet de 2L até a lixeira.



Uma questão de costume e educação

É bem verdade que algumas pessoas da zona sul, antigas frequentadoras da praia de Ipanema, também não têm o bom costume de recolher o seu lixo da areia e levar até a lata de lixo mais próxima, o que de fato me causa um grande constrangimento. O fato é que eu amo a praia de Ipanema, talvez por ter quase nascido nela e fico triste em ver as pessoas que não cuidam bem dela.

Ao ver aquela família enorme, logo me perguntei como eu poderia abordá-la no caso de ninguém recolher o lixo. Foi bom que isso não foi necessário. Me perguntava se devia falar com a senhora mais velha, que não parava de comer coxa de frango e sanduiches, ou com os rapazes mais velhos. Tenho bastante vontade de disseminar os bons cuidados com a praia para quem eu puder, principalmente quando vejo lixo espalhado na areia, na beira do mar, e quando encontro restos de lixo nas águas do mar. Isso mexe muito comigo.

A vontade que tenho quando vejo um pedaço de papel, saco de biscoito, papel de picolé perto do mar é pegar este lixo e jogar na cara de quem estiver mais perto e parecer suspeito por ter jogado aquele lixo ali. Quantas vezes já não nadei no mar para pegar garrafas de plástico boiando... Pode soar estranho, mas essa falta de cuidado com a areia e o mar da praia me tiram do sério.

Pensando assim, faço um apelo para que todos sejam resposávis pelo lixo que produzem na praia e levem tudo embora. NAO SUJEM A PRAIA!! Enquanto isso, também podem ser feitas mais campanhas de conscinetização sobre o lixo na praia e também para os que chegam de ônibus ou metrô. Não é possível haver essa integração dos bairros, maior circulação de pessoas, sem haver de fato uma maior integração social, SOCIOEDUCACIONAL.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Mais um evento trágico!!


Hoje estamos diante de mais uma tragédia causada pelos homens. Sim, pelos homens irresponsáveis que insistem em apostar na especulação imobiliária desenfreada, na construção irregular e não tem vergonha de mostrar seu descaso com as condições ambientais, os limites do meio ambiente, quando se escolhe um lugar para construir.

Já vimos isso acontecer diversas vezes em São Paulo, Niterói, Angra dos Reis, Santa Catarina, entre outros. Será que ninguém aprende com esses acontecimentos? Eles são repetidos, mas a imprensa insiste em anunciar “Tragédia em Petrópolis”, a maior dos tempos…. Como se tragédia como tal nunca houvesse acontecido. Será que os outros eventos como esse que aconteceram em outros lugares, onde muitas pessoas morreram, ficaram desabrigadas e/ ou feridas, não gerou nenhum aprendizado? Talvez a forma mais certa de anunciar esse evento seria: Mais uma tragédia ambiental acontece – agora em Petrópolis.

Parece que há algum interesse politico por trás dessa forma absurda de a imprensa anunciar as tragédias como se as outras não tivessem acontecido antes, devido às mesmas causas e com os mesmos efeitos, enfatizando a importância da memória curta para os expectadores e o não aprendizado com esses eventos ambientais desastrosos. Por que não se tomam iniciativas no sentido de sanar acontecimentos como os que presenciamos hoje?

Pera aí, se houver uma lei para a diminuição da construção nas áreas de risco, vai haver a diminuição da especulação imobiliária, não será possível a venda desenfreada de novas moradias. Como assim? Isso quer dizer que as construtoras e consórcios de engenharia vão ganhar menos dinheiro e não será possível a entrada de mais dinheiro no sistema!!! Isso faz sentido?

No meu entender essa ganância por grana, via esquemas de “reclusão de parte da verba” pelos participantes de tais sistemas, é o mesmo motivo pelo qual sempre vemos projetos de reconcretagem de vias e/ou a preferência pelo concreto em detrimento do verde para as vias de trânsito, seja para carros ou pedestres. Um pequeno/ grande detalhe vale aqui: quanto mais concreto nas cidades e vias, sem bastantes áreas verdes e rpojetos de escoamento de águas da chuva, por exemplo, maior o escoamento das águas para os próprios lugares, o transbordamento dos rios, a inundação das cidades. Vemos um ciclo formado aí. Ciclo que pode ter como resultado tragédias como as que temos visto…

Outro ponto muito pertinente e importante para evitar tragédias como essas é o mau descarte do lixo. E a adoção dessa boa maneira passa por uma reciclagem cultural das pessoas em geral. Se há lixo na rua, atrapalhando a passagem natural da água, ou há uma parte do lixo que foi armazenada nos rios, aumenta a probabilidade deste transbordar, as águas vão procurar outro local para seu armazenamento… Pode ser nas casas das pessoas, né? Isso é uma possibilidade com muitas chances de acontecer.

Então, imprensa, por que na hora de anunciar a tragédia, não se fala que é um evento reincidente, e também não há informações educativas para se evitar tais eventos?

Até quando VIDAS serão colocadas em risco devido a interesses enlouquecidos de empresários e politicos?

Está na hora de uma iniciativa conjunta

DE TRANSFORMAÇAO DESSA REALIDADE TRISTE!